Mulher,
meu poema
se completa em teu vestido
roçando a tua carne
no algodão
tecido.
meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e ficar em tua pele
pelo tempo em que me usa.
arturgomes
Mulher,
meu poema
se completa em teu vestido
roçando a tua carne
no algodão
tecido.
meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e ficar em tua pele
pelo tempo em que me usa.
arturgomes
Três poemas Amazônidos
I
me
dite
até que o nervo
do silêncio
dispare
com
um
inaudível
clique
de dentro
da cabeça
seu
satori
II
de
ter
mil
alagrosamente
o fluxo
do rio
arrebatar-se
a outra margem
saturar-se
de
satraves
sando-a
até às 3 da tarde
como
estava
previsto
III
no meio do mundo
deste trópico
sons
e silêncios
(densos)
tropeçam na noite
um devir-rio
com seu rito
- tucuxidionísius -
nos as
sombra,
nos
dobra
e nos
captura:
teia tênue
líquida prosmicuidade
feliz
men
te
Herbert Emanuel
Meta Linguagem
minha língua é minha arma
com ela roço no vento
e invento a palavra fala
falo pira pirão piracicaba
viajo a estrada das letras
falo pindamonhangaba
fulinaíma é bala que você não chupa
fala que você não fala
no seio minha língua mátria
sem pai nem mãe nem pátria
quando meto a língua na boca
preparo alguma armadilha
clarice não viu joão pessoa
pernambuco paraíba santarém
a língua pode ser armadilha
e armadilha é minha fala também
Artur Gomes
http://naimanico.sites.uol.com.br
http://eugeniomallarme.zip.net
Auto-Retrato
eu gosto de pintar na cama
adoro as mulheres brancas
elas têm cheiro de leite
e me chamam de oiticica
não sou de vila rica
mas adoro o doce deleite
curitibano de fato
pinto o auto-retrato
moldurado a três por quatro
e boto meu bloco na rua
para ver como é que fica
já pintei até dona zica
e tracei o borba gato
Federico Baudelaire
Retalhos Imortais do SerAfim –
Luís Inácio da Silva Nada Sabia de Mim
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Amores Republicanos
o empresário amava
o nosso erário
que amava o proletário
que amava o operário
que amava o empresário
que não amava ninguém
longas atas nas assembléias
às sombras do planalto
o secretário escreve
o tesoureiro assina
o fantasma dá as ordens
o presidente dorme
os senadores dormem
os deputados dormem
os banqueiros rapam tudo
Federico Baudelaire
Retalhos Imortais do SerAfim –
Luís Inácio da Silva Nada Sabia de Mim
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